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PRETENSO ENSAIO SOBRE A VIDA

por Keila, a Loba, em 14.08.06
O Pretenso Ensaio sobre a Vida foi contemplado com o selo destaque do blog Lua em Poemas, da minha adorada Nancy Moises. Obrigada, e Uivos para você, Nancy!

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A possibilidade de que a vida e a morte sejam meros processos biológicos me faz temer sobre os rumos futuros da ciência e da sobrevivência. Já olhei alguns trabalhos de Bohr, Boof, Descartes, Dalai Lama, Leloup, Gerber, D'ambrósio, gente mais e gente menos importante, e pouca coisa sobre a vida foi acrescentado ao que a ciência já sabe. Talvez porque essa vida louca seja uma mera equação física, ou talvez nunca possamos compreender o mistério e a grandeza dela, quem nos concedeu e o que ela significa para nós enquanto não atravessarmos o portal do pós mortem conscientes da relatividade do que temos e do pouco que somos. Discursos filosóficos e religiosos, a genialidade de Einstein - ele era pisciano! - não respondem à questão básica: o que viemos fazer aqui? Tudo de mais profundo que se sabe é que essa vida é pautada pela impermanência. Reluto em pensar que estamos aqui para sermos meros escravos emocionais, que gastamos grande parte das nossas energias tentando enxergar os próprios defeitos, que precisamos dos outros e a cada dia nos tornamos mais distantes....

Tenho pensado muito na vida, também na morte. Essa seqüência filosófica de que falo tem como ponto de partida a morte da minha mãe, a conseqüente doença do meu pai,a partida prematuríssima da Katiana, o ataque cardíaco da Luzia, quando ela tinha câncer... É fácil escrever nomes de doenças e as pessoas que já se foram no papel, difícil é sentir o peso desses diagnósticos e ver uma vida, seus sonhos e construções, boas ou más, ir embora. Penso que se não estou preparada para compreender o que Deus espera de mim enquanto cuidadora, qual será o perfil emocional enquanto protagonista da minha própria doença e partida? Mas os questionamentos não dão trégua, até porque espero obter respostas, ainda que mínimas, sobre as coisas que não sei descrever, embora saiba senti-las.

Outro dia li um artigo americano sobre o processo de suicídio das células, a apoptose, e fiquei ainda mais curiosa. Resumindo, diz lá que existe uma força invisível que rege a vida através das trocas e divisões celulares, algo tão fino e essencial capaz de decidir pela vida ou morte antes mesmo de fazermos essa escolha. As células se comunicam entre si, e definem todas as estratégias do corpo.

O artigo argumenta de forma irrevogável que as células avaliam o impacto das agressões físicas e/ou mentais e/ou emocionais que o corpo sofre e decide por continuar na luta pela vida, ou se praticam o suicídio coletivo e morrem. Do Pai ao Pai. Não precisamos ser médicos, sacerdotes ou psicólogos para observar que há pessoas fisicamente vivas, mas absolutamente mortas se avaliadas sob a ótica da vida e suas empreitadas. O que será pior, viver morto ou morrer vivo?

Richard Gerber, autor do livro Medicina Vibracional, diz que apenas recentemente os cientistas começaram a reconhecer que a mente tem a capacidade de influenciar os mecanismos biomoleculares que regulam o funcionamento do corpo. O autor considera a possibilidade da existência de um aspecto da fisiologia humana que os médicos ainda não compreenderam e, pior, relutam em reconhecer, pois "A conexão invisível entre o corpo físico e as forças sutis do espírito detém a chave para a compreensão dos relacionamentos internos entre matéria e energia. A própria consciência é uma espécie de energia que está integralmente relacionada com a expressão celular do corpo físico. Assim, a consciência participa da contínua criação da saúde e da doença" - da vida e da morte.

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Especialmente entre nós, meros viajantes, a ausência do Anima - a tristeza, o sofrimento - pode significar a diferença entre a vida, a sobrevida e a morte. E como nos acostumamos a viver sem alegria, sem querer o outro, optando pelo isolamento e indiferença! Entendo que isso é morrer, mesmo porque a morte não pode ser vista apenas como a cessação dos movimentos cardíacos e de outras funções corpóreas vitais. A morte é, sobretudo, a soma das perdas espirituais, emocionais e físicas vividas todos os dias. O impacto dessas perdas diárias rouba do indivíduo a necessária compreensão de que é preciso levantar e recomeçar tudo de novo. Assim, morte é sinônimo da quebra de energia sutil que se esvai e deixa como legado um corpo inerte e inanimado, sem vida, que não encontra mais sentido de ser.

Pensar que a vida em si é o início dos longos debates sobre a impermanência de tudo, que a doença emocional é pressuposto para a doença física, que a doença física é pressuposto da morte, que a morte pode ser o recomeço de tudo, dá arrepios de curiosidade. Diz Leloup* que, em hebraico, a palavra doença significa andar em círculos, estar fechado e preso em círculos, fechado na conseqüência dos seus atos e identificar-se com os seus sintomas. Estar doente é participar do processo que envolve dimensões físicas, mentais e espirituais, e estes se articulam de forma complexa aos mecanismos emocionais ainda não compreendidos pela ciência. Adoecer significa abdicar a saúde em conseqüência de uma quebra na continuidade organísmica interna e externa, permitindo ao doente assumir posturas de "Quem se fechou em um único nível de interpretação simbólica" *.

"A vida nos é dada, mas nem sempre é recebida. Tudo nos é dado, mas nem tudo é recebido. Cada um de nós, de modo bem particular e pessoal, tem um espaço de abertura e um espaço de fechamento*. O desafio do viver é conviver com os traumas adquiridos na vida uterina, somá-los aos desencontros passados e aos vividos no momento presente, realçando as doenças do corpo e da alma, o que significa dizer que a arte da vida com saúde ainda não foi vivida por nós. Ou seja, a morte sempre nos ronda; a morte nos tem. Somos dela, assim como somos da vida.

Diz Jean Yves-Leloup* que a origem de muitas enfermidades pode estar relacionada às perdas que não foram vividas e expressadas; também à realização dos mais profundos desejos, abortados ao longo dos anos. Há ainda quem diga que a morte só precisa de motivos, sejam bons ou ruins. Quem duvidaria?

"Olho-me no espelho
e vejo a ilusão.
E digo:
Desgraçadamente, ainda sou.
Mas, um dia,
viverei a glória da morte.

E não será o fim,
Por que não há fim.
Nem começo.
Há somente vida
no ser
e do ser.

Sim... Um dia vou nascer para a vida
através da morte.
E quando eu deixar de ser,
também os que amo não mais serão,
pois eles e eu seremos UM!

Amanhã.... Virá a ressurreição!
E o Cristo
e eu
seremos UM!
E a árvore e o pássaro,
e o vento e a vida,
e o homem e a luz
e a mulher e o amor,
e eu e a natureza,
e tudo...
Seremos UM!

E haverá profunda, infinita e eterna paz".
Mensagem Rosacruz

____________________

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publicado às 22:56


33 comentários

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De Eduardo Gosson a 21.08.2006 às 16:34

No seu ensaio você faz questionamentos cruciais. Qual a finalidade da vida? Por que estou aqui? Para onde vou? Esse debate é eterno, e o ser humano se divide em duas grandes correntes: a. espiritualista; b. materialista.Começemos pela primeira. O apóstulo Paulo no capítulo 15 (A ressurreição) dá-nos algumas pistas:
"Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens", v 19;
"Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte", v 26;
"Eis aqui vos digo um mistério: na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados,v 51;
"Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados", v 52.
É interessante ler todo o capítulo.
BeiojosssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssdoLobo.

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De Lobisomem Diurno a 21.08.2006 às 14:35

Olá amiga lupina...

Tenho plena convicção que o homem não se limita a esse mundo natural. Há um universo paralelo, uma dimensão espiritual, onde a verdadeira natureza do homem habita... Essa é a nova vida que eu creio que existe após a morte...

Mas isso não pode ser visto com os olhos naturais assim como não podemos entender no âmbito racional a não ser que vejamos com os olhos da fé...

Um grande abraço...

LD
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De Mar a 21.08.2006 às 13:34

Oie Lobinha... quantas saudades. Não tive mais muito tempo para net, ando atolada nos meus deveres ambientais e outras coisas mais, e o tempo não perdoa, passa! Me embriaguei na tua postagem e, penso junto contigo que jamais em vida poderemos mergulhar de tudo nos mistérios da criação. Quando conseguimos atravessar a porta algo muito forte nos impele a voltar. Jesus estava certo qd disse que quem está aqui não pode estar lá.. e quem está lá não pode estar aqui. São grandezas distintas no tempo e no espaço. O não se encontrar em terrenos desconhecidos ou esquecidos... nos deixa fora de órbita. Mas.. sabemos que a vida não morre nunca. beijos amiga... saudades, saudades e saudades!!!!!!!!
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De Tucha Santos a 21.08.2006 às 12:12

Minha querida, antes de mais devo-lhe um pedido de desculpas, por só agora aparecer. Meu marido, meu filho e minha nora, estão de férias, por esse motivo, meu modo de vida se alterou. Embora não tenhamos ido para fora, temos passeado muito e aí o PC teve que ficar pra segundo plano. Depois quero agradecer-lhe seu carinho e a pronta resposta ao pedido de ajuda para minha amiga. Graças a Deus já está encaminhada, espero que tudo dê certo com ela!

Agora falando sobre seu post que como os demais, é muito interessante e acima de tudo bastante pertinente e polémico, devo dizer-lhe que para mim, a vida é uma tarefa que nos é dada a cumprir e como tudo...Tem um princípio, meio e fim!

Quanto à morte, da mesma forma que o dia se transforma em noite, o outono em inverno ou a juventude em velhice, todo ser, a partir do momento em que nasce, vai em direcção à morte. Ela é por assim dizer, o passo seguinte da vida, é uma sequência a que ninguém pode escapar! No entanto as pessoas preparam-se para não sofrerem no inverno, para não sofrerem na velhice, mas poucas são aquelas que se preparam para a maior das certezas: A morte!

Resumindo:

1. A vida é uma tarefa que nos é dada a cumprir.
2. Nós somos seres em constante aperfeiçoamento.
3. Viveremos várias vidas até atingirmos a perfeição.
4. Quando a perfeição for atingida, viveremos eternamente numa outra dimensão.
5. A morte é nada mais que uma porta de acesso, quer para uma nova vida quer para outra dimensão.
6. É a morte que nos conduz à renovação e regeneração.

Apesar de aceitar e tentar cumprir da melhor forma, a tarefa que me foi dada a cumprir nesta passagem e de acreditar numa vida para além da morte, não deixo de me preocupar com o momento da partida. Talvez não apenas pela viagem em si, mas pela forma como ela poderá acontecer.

É um contra-senso de sentimentos, pois se por um lado, tento aceitar o natural, por outro assusta-me a perda de entes queridos e óbviamente que me assusta todo o mistério envolvente. Mas minha amiga, como diria Confúcio: "Como hei-de compreender a morte, se ainda não compreendo a vida"!

Desejo-lhe uma linda e radiosa semana. Beijos no seu coração.
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De Verusca a 21.08.2006 às 11:14

Oi, Lobinha Linda! Obrigada pela força que tu me deu com a perda do meu amigo. Ele era realmente jovem (27), descobriu o cancer e morreu na mesma semana. Imagina o quão inesperado foi pra nós, que nem mesmo sabíamos. Mas, dentro do teu assunto no post... ele nao teve tempo de sofrer. Ia começar as soções de quimio e nao precisou passar por tal sofrimento. Então foi como se Deus o tivesse poupado, assim como aqueles que o amavam. Nós que ficamos, que nao nos lembramos do Lar, é que sofremos, embora nao devêssemos tanto. Fazer o que? A carne nos deixa fracos e extremamente falíveis. OLha, minha Loba que uiva pra lua, só vim dizer que estou feliz por não teres largado minha mao naquele momento. Obrigada. Beijocasssssssssssss
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De Kyaya a 21.08.2006 às 08:33

É amiga... Estamos vivendo num mundo que se encontra de pernas para o ar... Será que tem solução? Às vezes, fico em dúvida quanto a isso.
Mas me conte, como está? Espero que esteja bem! Uma ótima semana para vc! ;)
Beijos :**************
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De Regina a 21.08.2006 às 05:25

Oi Lobelha!
Tudo bem com você amiga?
Eu estou resfriada, aqui um dia faz calor e no outro frio, haja saúde! rs
Você abriu seus e-mails do gmail? Já te mandei o selo há mais de uma semana. Em todo caso, vou enviar de novo, ok?
Desejo que você tenha uma semana abençoada e com muitas alegrias.
Beijos no coração.
Regina
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De aguas da vida a 21.08.2006 às 02:51

Passadinha para desejar um excelente inicio de semana cheio de muita paz e amor.
Big Kiss
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De Nana a 20.08.2006 às 23:14

Amiga! obriagda pelo comentario!!!
A morte, mesmo sendo dolorosa p quem fica, deve ser encarada como uma fase de um ser necessária para que a vida na terra continue... sem a morte nao existiria vida, pois a transformação que bem com a "passagem " eh essencial p que o universo possa fluir...
beijos enluarados, e ema ótima segunda feira...
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De ships a 20.08.2006 às 14:15

ola minha amiga...
vamos dar um basta de homem no poder, chega de tanto desatinos durantes anos a fio com eles mandando e nada fazendo e escandalos e mais escandalos.......
chegou a vez das meninas.
venha ate a ships e confira.

beijus do seu amigo

ships

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