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QUAL O SENTIDO DA VIDA?

por Keila, a Loba, em 09.07.07
Presente de quem tem um lindo par de asas e os mais puros sentimentos: a Jacqueline - http://abcdejac.blogspot.com/ Obrigada.


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As sandálias do discípulo fizeram um barulho especial nos degraus da escada de pedra que levavam aos porões do velho convento.Era naquele local que vivia um homem muito sábio. O jovem empurrou a pesada porta de madeira, entrou e demorou um pouco para acostumar os olhos com a pouca luminosidade. Finalmente, ele localizou o ancião sentado atrás de uma enorme escrivaninha, tendo um capuz a lhe cobrir parte do rosto. De forma estranha, apesar do escuro, ele fazia anotações num grande livro, tão velho quanto ele. O discípulo se aproximou com respeito e perguntou, ansioso pela resposta:

- Mestre, qual o sentido da vida?

O idoso monge permaneceu em silêncio. Apenas apontou um pedaço de pano, um trapo grosseiro no chão junto à parede. Depois apontou seu indicador magro para o alto, para o vidro da janela, cheio de poeira e teias de aranha.

Mais do que depressa, o discípulo pegou o pano, subiu em algumas prateleiras de uma pesada estante forrada de livros. Conseguiu alcançar a vidraça, começou a esfregá-la com força, retirando a sujeira que impedia a transparência. O sol inundou o aposento e iluminou com sua luz estranhos objetos, instrumentos raros, dezenas de papiros e pergaminhos com misteriosas anotações. Cheio de alegria, o jovem declarou:

- Entendi, mestre. Devemos nos livrar de tudo aquilo que não permita o nosso aprendizado. Buscar retirar o pó dos preconceitos e as teias das opiniões que impedem que a luz do conhecimento nos atinja. Só então poderemos enxergar as coisas com mais nitidez. Fez uma reverência e saiu do aposento, a fim de comunicar aos seus amigos o que aprendera.

O velho monge, de rosto enrugado e ainda encoberto pelo largo capuz, sentiu os raios quentes do sol a invadir o quarto com uma claridade a que se desacostumara. Viu o discípulo se afastando, sorriu levemente e falou:

- Mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga. Afinal, eu só queria que ele colocasse o pano no lugar de onde caiu.

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publicado às 02:05


25 comentários

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De Andarilha descalça a 09.07.2007 às 03:10

Deixo para ti e para todos uma bela parábola.
bjus no coração.


"Parábola da Areia e da Lágrima"


Dantes, lá longe, nos confins arábios
Que se estendem do Líbano à Caldeia,
Vivia um velho, sábio entre os mais sábios
Dos Essénios da Síria e da Judeia.


Ora, um dia, uma lenta caravana
Surgiu dos horizontes pela calma,
Trazendo em canjirões de porcelana
Essências de Bagdad e óleos de palma.


De regresso à distante Ásia Menor
Por aqueles desertos solitários,
Era um arménio, um jovem mercador,
Quem dirigia os lentos dromedários.


O Sol morria. Às bandas orientais
Despontava, sanguínea, a lua cheia.
Havia ali um poço. E os animais,
Ruminando, ajoelharam-se na areia.


Passou-se a noite. E quando à boca de alva,
O mercador se ergueu junto à cisterna,
Viu o sábio aprumando a fronte calva,
De pé, no limiar duma caverna.


- Mestre, lhe disse, eu venho de Bukara,
Da colheita do bálsamo e do incenso.
E em toda a parte, com ternura rara,
Ouvi falar do teu saber imenso.


- Mestre, tu és por certo aquele monge
De quem tanta virtude eu venho ouvindo.
Disse-lhe o sábio: - Irmão, vens de bem longe...
Quem quer que sejas, homem, sê bem-vindo.


- Mestre, tornou-lhe o mercador de essência,
Os camelos esperam a partida.
Aponta-me o caminho da Existência;
Ensina-me a parábola da Vida.


E, alongando o seu braço descoberto,
O monge erguendo a voz profunda e sábia,
Disse, fitando a areia do deserto,
Sob o céu ardentíssimo da Arábia:


- Traz-me um punhado dessa areia de oiro.
E o homem foi. E em renques paralelos,
Imóveis e fitando o bebedoiro,
Eram de bronze os plácidos camelos.


E o homem mergulhou as mãos na areia...
Mas, qual se fora praga de bruxedos,
Mal empunhou uma febril mão-cheia,
Fugiu-lhe a fina areia entre os seus dedos.


E novamente as suas mãos nodosas
Mergulhavam na areia e se crispavam.
Entanto, como sombras silenciosas,
Os camelos imóveis esperavam.

Oh! A tragédia íntima do homem
Ante essa areia líquida e escaldante,
Vendo que os seus esforços o consomem
E todo o esforço é vão e vacilante!


Por fim, como num lívido quebranto,
Ficou prostrado e atónito a olhar;
E uma lágrima límpida, de pranto,
Rolou-lhe e sobre a areia foi tombar.


E essa lágrima ardente, enorme e túmida,
Vestida do seu próprio coração,
Bastou para tornar a areia húmida
E afeiçoá-la ao côncavo da mão.


Então, como de súbito desperto,
O monge ergueu-se inda robusto e ágil:
- A Vida é, como a areia do deserto,
Pó transitório, inconsistente e frágil.


- Mas basta uma só lágrima de dor
E o mesmo pó, inútil e disperso,
Cristaliza-se em séculos de Amor.
É a alma de Deus no Universo.


- E agora parte, ó mercador de essência!
O Sol vai alto e a Arábia é desmedida!
Apontei-te o caminho da Existência!
Tu mesmo és a Parábola da Vida!
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De Manuela a 09.07.2007 às 03:15

Gostei da foto.
Obrigado por ter passado pelo meu simples blog.
UUUiiivando de Portugal. eheheh
Manuela.
Abraço
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De ricardo a 09.07.2007 às 08:21

gostei...acho que sempre procuramos o sentido da vida, e acho melhor vive-la, assim não fica sem sentido qdo estivermos mais velhos e nos depararmos com tantas procuras por respostas e pouca vivencia, é melhor viver....a vida esta pra ser vivida...beijossssssssss

http://noelevador.zip.net
http://vidacretina.zip.net
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De Claudia Blue a 09.07.2007 às 19:18

O fato é que cada um tem uma ótica sobre as liçoes da vida... agora cabe a cada um assimilar da melhor maneira possivel.. eu adoro essas filosofias orientais... beijo blue

http://noelevador.zip.net
http://nabolsadamulher.blogspot.com
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De plum a 09.07.2007 às 21:31

Palavras sábias!Abraços!***
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De Lino a 10.07.2007 às 01:47

Bela parábola, mas acho que a vida tem o sentido que damos a ela. Somos nós que fazemos com que tenha sentido, seja cheia e não vazia.
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De Katia a 10.07.2007 às 02:35

Não sei de onde vem isso de todo sábio ser velho. Quem mais me ensinou foi um menino... que todos os lenços foram recolhidos, afinal.
Ainda assim, belo texto.
Beijo!
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De Regina a 10.07.2007 às 05:52

Bom diaaa Lobelhaaaaaa
Pensou que eu não vinha mais, né? Pois é... olha eu aqui.
Como sempre, ando cheia de coisas para fazer que nem sei como dou conta, quer dizer, alguma coisa fica pra depois...
Tava morrendo de saudades, li tudinho pra ficar atualizada.
Se puder, passa no blog Entre Amigos e conheça o Coloranildo Silveira.

Beijinhos sempre da Regina.
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De Kyaya° a 10.07.2007 às 12:08

Oi amiga! :)

Que barato essa parábola! :)

Sabe, eu admiro muito as pessoas que conseguem enxergam as coisas e tudo a sua volta (incluindo pessoas) com o olhar profundo. Detesto superficialidades!...
Sempre que posso, treino a minha visão para se tornar cada vez mais profunda, analítica e crítica, no bom sentido!
Acho que a vida perde a graça se a enxergamos de maneira rasa... É preciso enxergarmos não só com os nossos olhos, mas com o coração também! :)

Beijos e tudo de bom!!! :D
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De smareis a 10.07.2007 às 21:03

Oi minha loba amada. Que texto lindo, até me emocionei lendo e ouvindo essa musica.
Muito lindo mesmo esse texto, uma grande reflexão. realmente mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga.
Um otimo começo de semana pr ati.
Bjs no coração!

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