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AS ESTAÇÕES DA VIDA E SUAS FORMAS DE AMOR

por Keila, a Loba, em 18.09.06
Com muita honra, agradeço a minha amiga-irmã Melina o selinho que me enche de alegria. Obrigada, querida!


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AS ESTAÇÕES DA VIDA


Gosto de falar das estações da vida. Nós vivemos e, infelizmente, passamos. Somos caminhantes, seres de passagem. Perguntaram ao poeta Jorge Luís Borges: “Você não te medo de morrer?” Ele respondeu: “Não! Tenho medo de não morrer.” É belo estar de passagem. É belo ser peregrino. É belo constatar que a nossa estrada é sempre uma ponte...

A primeira estação é a primavera, estação das flores, onde os nossos valores são compatíveis com os de um parquinho de diversão. É a ocasião do desenvolvimento psicossomático, do desabrochar juvenil. Esta é a primavera da existência, bela e florida.

Depois podemos inaugurar a juventude do verão. O verão é quando deitamos nossas raízes no solo da cidadania e nos fazemos seres da humanidade. É lindo o verão. É quando estamos sendo úteis, quando estamos buscando realizar uma promessa que fizemos a nós mesmos quando nos convocamos a encarnar neste espaço-tempo. Trata-se, então de transmutar os valores da primavera nos valores do verão.

Depois vem o outono, a estação dos frutos. É quando nossas árvores ficam carregadas e temos que oferecer flores transmutadas em frutos. Não, o outono não é velho. O outono é a estação da vida que me informa que tipo de pessoa eu sou, ou que tipo de indivíduo estou me transformando. O outono é velho? Velhice é, no outono, querer viver a primavera. Velhice é paralisia do processo, é não se atualizar. Jung dizia que, após 35 anos, os problemas são fundamentalmente espirituais. É no outono da existência que precisamos transmutar os valores do ter, do poder, do parecer, para os valores do ser. Transmutar os instrumentos de uma psicologia da juventude, como a de Freud, calcada no prazer. Jung, assim como Viktor Frankl, desenvolveu uma psicologia para o homem e a mulher da maturidade, que chegam ao outono da existência e onde é preciso que o Ego dê passagem ao Self sem se auto-destruir. Há um ditado hindu que diz: “O Ego é o melhor empregado e o pior patrão.” Trata-se de abri-lo para o norte do ser e do amor.

Finalmente, se caminharmos bem no outono, chegamos à juventude do inverno. É quando nos recolhemos. É a estação da prece, do silêncio. Nela constatamos que caminhamos toda uma existência para, ao final da viagem, retornar à nossa própria casa de onde jamais partimos. Nossa tarefa: APRENDER A AMAR!

AMOR, A TERAPIA DO UNIVERSO


OS 4 TIPOS DE AMOR


O Dharma fundamental do ser humano é aprender a amar. Estamos aqui hoje porque não sabemos amar, eis um fato. Falamos, e muito inconsequentemente, que amamos. No que me toca, estou aqui porque não sei amar plenamente. E aprendemos a amar através do encontro. É sábio perceber que ninguém cura ninguém, e que ninguém se cura sozinho. Curamo-nos no encontro, se houver encontro. É através do encontro que ocorre a alquimia transformacional: o encontro com o próprio ser, com o outro, com a natureza, com o mistério inefável.

Importa indagar: Por que não é fácil amar? Por que não é simples amar e ser amado? Diante dessa perplexidade, pode ser bastante útil buscar uma inspiração na reflexão anterior, sobre os pressupostos antropológicos.

Os pressupostos materialista e somático indicam a primeira estação do amor, a infância, nesta grande Odisséia que é aprender a amar. O s gregos usavam uma palavra para este primeiro estágio, representado pelo bebê sugando o seio da mãe: Pornéia. O amor da criança é o amor físico da fome, da sede, dos reflexos primitivos, sendo a forma de amor que permite a criança buscar a mãe para ver saciados seus instintos básicos e mais primitivos de sobrevivência.

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De Pornéia deriva a palavra pornografia, que é o amor do bebê que precisa mamar, comer, sugar o outro. O normótico se reduz a esse tipo de amor porque reage de forma instintiva tentando sugar, consumir o outro, exaurir o outro para encontrar-se. Se nos limitarmos ao jardim da infância do amor, não haverá história para ser contada no futuro.

A segunda estação, o amor Eros, é o amor do adolescente; o amor, também, muito justo, regado ao encanto e a entrega imediata porque Eros simboliza o fogo ardente, a paixão avassaladora que não pensa no amanhã. É o amor no qual você busca a felicidade, você vai na direção do outro para ser feliz com ele. Se não é feliz “adolescentemente”, culpa-se o outro pelos encantos desfeitos, culpa-se o outro porque não foi permitido parar para ver o outro no fogo de Eros; e isto está muito em voga. Para preencher vazios, reinicia a busca por alguém que se interponha na ausência de papai e de mamãe na vida afetiva. Portanto, o amor adolescente é também o amor do normótico.

Mas há um momento em que se compreende que ninguém pode nos dar felicidade. A felicidade é uma conseqüência natural de você ser quem é. Nem mais, nem menos. A felicidade é uma irradiação natural quando você é inteiro, verdadeiro, pleno, total. Vem, então, aquela estação e estado de Philia, o amor da troca, da parceria, quando você vai na direção do outro para aprender a ser humano com o outro, aprender a amar com o outro. Esse é o amor dos companheiros, é o amor da sinergia, é o amor da parceria. Philia é o máximo a que poderemos chegar na arte de amar, enquanto seres humanos.

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A última estação do amor, aquela que transcende os planos, é o amor incondicional, supremo, o amor gratuito, o amor divino e transpessoal, o Ágape: o amor que é maior que o coração humano. E quando você ama em Ágape, você está trazendo para a humanidade o que está além da humanidade. Esta é a tarefa fundamental da existência: caminhar na direção daquela promessa que fizemos e aprender a amar.

O Espírito na Saúde, Editora Vozes




Textos de
Jean-Yves Leloup
Leonardo Boff
Pierre Weil
Roberto Crema
Lise Mary A. Lima


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publicado às 20:38

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