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Gaiolas Douradas

por Keila, a Loba, em 21.09.07
Sobre o meio ambiente e a destruição progressiva e sistemática dele, temos certa resistência e dificuldade em acreditar na veracidade que jornais e Tv's nos alertam a toda hora. De fato, já estamos no Apocalipse, porém, não o estamos percebendo, pois o processo de destruição é lento, invisível e progressivo.

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A perda do número de espermatozóides no homem - talvez nem todos saibam, mas a ciência prenuncia a extinção humana por conta disso -, o aumento do buraco na camada de ozônio, a subida do nível do mar, o degelo das calotas polares, a destruição das espécies vivas,.. essas coisas estão fora do alcance das nossas vistas, mas tememos seus efeitos.

Nossa indiferença ao problema ambiental é tamanha que o ambiente imediato parece invisível aos estragos por estarmos acostumados a presenciá-los.

Num rápido passeio na rua, se prestarmos atenção, ficaremos apavorados ao que o ser humano fez no que hoje é seu bairro, sua cidade, seu país: a terra original não existe mais, e está coberta pelas casas ou prédios, por calçamentos ou asfalto.

Mesmo encanada, a água está cada vez mais poluída, a tal ponto que passamos a comprar água mineral para consumo. O ar que respiramos está se tornando um gás essencial e venenoso, sendo crucial o uso de máscaras em algumas cidades. As matas virgens estão sendo extintas; árvores originais estão dando lugar à vegetação rasteira; já não existe vida animal em abundância, nem pássaros, restando apenas ratos, baratas, cupins, mosquitos e milhões de vírus e outras bactérias resistentes aos antibióticos, inseticidas e venenos. Se havia em abundância cães e gatos, a população da atualidade é estimulada pela mídia a considerar que animal é sinônimo de raiva, motivo para abandoná-los nas ruas, envenenar, maltratar ou trucidar esses últimos exemplares domésticos.

Observando o ambiente interno de nossas casas, todas as coisas e objetos que usamos, comemos e bebemos, todos eles, provêm da natureza. Ao adquirir objetos que não precisamos, por pura necessidade emocional ou social, estamos consumindo vorazmente uma quantidade maior de matérias primas do planeta. Observem que há pessoas que colecionam sapatos, outros colecionam carros, há os que têm muitas casas, há ainda aqueles que juntam fortunas, mas desconhecem o caráter materno que emana das profundezas da Mãe Gaia: igualdade. Ela não diferencia ricos e pobres, apenas dá; e nós não estamos conseguindo preservar esse tesouro, que é para nós essencial e único.

Questionar a sobreposição humana nos induz à pergunta, "Quem sou?", "Quem é você"? Eis uma pergunta incentivada pelos antigos a exatos milênios do magnífico templo de Delfos, local sagrado, que continha no seu frontispício a máxima, "Conhece-te a ti mesmo". Esse apelo ao ser humano significa que, se descobrirmos quem somos, desvendaremos a natureza do universo e de tudo o que existe; conheceremos o âmago da realidade.

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Nos tempos modernos, a fisiologia foi atrás do ego ou da consciência. Mas nenhum neurologista encontrou tal definição sob seu escalpo.

A biotipologia tentou definir o eu, e foi colocada a dividir a personalidade em três partes fundamentais: endodermo, mesodermo e escodermo.

Freud procurou as respostas no sistema nervoso, e foi não só obrigado a abandonar a pesquisa, mas também acabou dividindo o ego em id, de natureza pulsional e instintiva; o superego, ou as pressões da educação dentro de nós; e o ego, que seria a entidade equilibrante entre as duas outras instâncias psíquicas. Prá complicar, Freud ainda fez a distinção entre ego consciente e ego inconsciente. A esse inconsciente individual, Jung juntou ao que Freud havia descoberto o tal inconsciente coletivo ao que já era de difícil compreensão. Para Jung, o eu está ainda em formação para se tornar indivisível dentro dele e com o self universal. A isso, ele denominou processo de individuação.

O autor da análise transacional, Eric Berne, ao procurar definir o eu, acabou encontrando três partes distintas, a que ele chamou de pai, criança e adulto. A criança quer brincar; o pai fala o que deve ser feito e emite julgamentos; o adulto analisa cada situação e decide o que fazer.

Deu prá entender quem é você?

Por fim, Assagioli diz que temos sete eus!
1. EU como eu quero ser
2. EU como eu não quero ser
3. EU como eu acho que sou
4. EU como os outros querem que eu seja
5. Eu como os outros não querem que eu seja
6. EU como os outros me vêem
7. EU como posso ser

Entre os antigos Terapeutas da Alexandria, havia uma visão que pode servir de ponte para que possamos entender o que existe entre eu e o universo, entre eu e a natureza, entre eu e os outros. É a visão da Memorah , do mundo judaico da Alexandria. Segundo os antigos escritos, o ser humano é simbolizado pela Memorah, um candelabro de sete braços. Porque o ser humano é aquele que resume o mundo animal, o mundo vegetal e o mundo mineral - o mundo da matéria.

Ser um homem é conhecer seu animal e saber que seu animal pode mudar. Ele deve ser dócil e tranqüilo, mas não pode ser perigoso ou violento. Ser homem é conhecer seu vegetal, sua árvore, sua planta, sua flor. E às vezes, no plano da saúde, é a planta que está doente em nós, é a planta que tem necessidade de ar e de sol, que tem necessidade de água.

É preciso também conhecer o seu mineral, sua pedra, sua matéria, que nem sempre é uma pedra preciosa. Alguns se sentem como argila, outros como quartzo, outros sentem familiaridade para com o ouro. É importante reconhecer a nossa ressonância interior com o mundo mineral.

Há também uma dimensão misteriosa do ser humano, que é a experiência do seu nada. Que é a experiência do seu frágil. A realidade do seu aniquilamento, que às vezes é vivida em certos estados de depressão. Essa também é uma experiência do ser humano.

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Quero questionar aqui algumas verdades fundamentais para nossas vidas no presente e no futuro: Não podemos mais nos apoiar no poder como dominação e na voracidade irresponsável da natureza e das pessoas. Não podemos mais pretender estar acima e sobre as coisas do universo, mas junto com ela e a favor delas. O desenvolvimento deve ser com a natureza, e não contra a natureza. O que deve ser mundializado atualmente é menos capital, menos mercado, menos ciência e menos técnica. O que deve, fundamentalmente, ser mais mundializado é a solidariedade para com todos os seres, a partir dos mais afetados; a valorização ardente da vida, em todas as suas formas; a participação como resposta ao chamado de cada ser humano à dinâmica do universo; a veneração para com a natureza da qual somos parte, e a parte responsável.

A partir dessa densidade de ser, podemos e devemos assimilar as ciências e as técnicas como forma de garantirmos o ter e de mantermos ou refazermos o equilíbrio ecológico, e de satisfazermos nossas necessidades de forma suficiente e não perdulária. Importante é amar nossa casa, a Terra. Dela depende nossa vida, das mais complexas às mais primitivas formas.

Por acaso, já sabe quem é você?

Textos de *Jean-Yves Leloup, Leonardo Boff e Pierre Weil/ Colégio Internacional dos Terapeutas

Alterações textuais da Loba

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