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AO QUE TEM VIDA E BUSCA INSISTENTEMENTE O SEU SIGNIFICADO

por Keila, a Loba, em 23.11.08


 

Cheguei do médico apressada, e havia um recadinho no quadro que dizia, "Uma amiga, com sotaque diferente, ligou para saber como a senhora está". Imediatamente eu fiquei sabendo que só poderia ser ela, a Vitória. E foi ela, sim! Ela tem alguma coisa que extrapola a doação, o respeito, o carinho... e isso nos faz crer que anjos existem e convivem conosco por aqui mesmo, nessa Terra árida e sem muitos amigos verdadeiros. E ela me ligou em um dos dias mais difíceis; um dia daqueles... em que o resultado da biópsia deixa a gente com os nervos à flor da pele.

Eu não tenho como te abraçar agora, Vitória, mas tenho como dizer que te gosto profunda e imensamente. Muito obrigada pela sua presença mágica espelhando doação, vida, fé, esperança e amor nesse mundo blogueiro de fora, mas também no mundo real e possível do coração.

Reclinada
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O selinho "Blog Que Não Tem Preço", que a Vitória me presenteou, está à disposição dos que têm um blog e o consideram valioso demais para não ter um.

De acordo com populares, José estava dormindo na calçada havia uns dois dias, e só foi possível perceber que algo errado estava acontecendo com ele quando o carro do “Doutor” chegou, cheio de pães fresquinhos, e ele não correu para pegar os seus. Foi aí que acionaram a ambulância.

Quando os paramédicos chegaram e desfizeram o nó de papelão em que José estava enrolado, o mau cheiro provocado pela mistura de álcool e vômito era tão grande que a enfermeira temeu por sua vida. Ele estava vivo, mas corria risco de vida.

Quando tornou dos vinte e dois dias de coma, os médicos precisavam informar aos familiares e ao próprio José que ele era portador de um tipo raro de câncer no coração, mas não havia família e nem como esconder seu grave estado de saúde. Talvez tivesse um ou dois meses de vida, os médicos não sabiam, mas era consenso que seu organismo estava debilitado demais para arriscar qualquer tratamento químico.

Tomar banho era das tarefas de saúde a mais difícil de ser executada por José. Ele relatava “frio nos ossos” quando a água batia no corpo, dor de cabeça, mal estar... de forma que, da lista de coisas ruins de sua vida, o banho ocupava o primeiro lugar. Pela ausência do asseio pessoal, José não tinha o cabelo penteado, também não era perceptível roupas limpas e ordenadas e sandálias nos pés. Ao contrário. O paciente José era simpático, mas pouco acessível a mostrar-se bem e limpo.

Numa manhã de inverno e chuvas pesadas, José recebeu a visita de Paulão, um amigo de rua que compartilhava comida e abrigo; e foi nesse momento que a médica de plantão, sem nenhum tato para lidar com uma pessoa despreparada, disse em alto e bom som que José estava com câncer no coração. Por alguns momentos, José ficou no mais absoluto silêncio, assim como seu amigo. Os dois sabiam compartilhar eventos ruins da vida, já passaram por momentos dos mais difíceis, e não seria aquele último e derradeiro instante em que um câncer fora divulgado que José perderia o prumo de sua vida. Afinal, nunca estivera tão bem, se alimentando nos horários, dormindo em uma cama macia, num quarto com ar condicionado, conversando com pessoas normais e tomando banho. Tudo estava diferente em sua vida, até mesmo o câncer.


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Paulão despediu-se. Sozinho, José meditou sentado em sua cama, e resolveu enfim levantar-se para tomar um prolongado banho. Pediu toalha limpa, roupas limpas, solicitou shampoo, usou a sandália nova que ganhou de presente, pôs perfume, penteou os cabelos, e foi para o corredor conversar com as pessoas que passavam apressadas.

Uma senhora idosa, que carregava uma sacola, foi abordada por José na esquina da enfermaria C. Ele quis saber por que a senhora abordada não havia deixado aquela sacola pesada na portaria. Não houve resposta, mas José não se intimidou. Pegou na mão da criança que deixou cair no chão um pacote de balas; deu boa tarde ao paciente caladão da enfermaria A, e dele ouviu um mal definido “Oi!”; riu quando as enfermeiras elogiaram seu penteado e perfume; correu para dar um recado na enfermaria C; pediu uma camisa nova ao Dr. Augusto, seu médico, que lhe havia prometido um paletó se este tomasse banho todos os dias e sem ajuda. José estava fazendo coisas que jamais ousou fazer para ter forças e lutar contra um câncer que estava roubando seus dias mais felizes de vida.

Já era noite quando José voltou para seu quarto, e nem percebeu a presença de um companheiro que estava deitado na cama ao lado. Em voz alta, leu um trecho da bíblia, chorou copiosamente e deitou suavemente para nunca mais acordar.

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publicado às 22:21



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