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BRASIL, UM PAÍS DE CONTRASTES: ENCHENTES EM SANTA CATARINA, SECA NO NORDESTE.

por Keila, a Loba, em 29.11.08

Presente da Celi, http://sensualitty.zip.net/ , que sempre me faz muito feliz. Obrigada, querida.



 

Cheguei do médico apressada, e havia um recadinho no quadro que dizia, “Uma amiga, com sotaque diferente, ligou para saber como a senhora está”. Imediatamente, eu fiquei sabendo que só poderia ser ela, a Vitória. E foi ela, sim! Ela tem alguma coisa que extrapola a doação, o respeito, o carinho... e isso nos faz crer que anjos existem e convivem conosco por aqui mesmo, nessa Terra árida e sem muitos amigos verdadeiros. E ela me ligou em um dos dias mais difíceis; um dia daqueles... em que o resultado da biópsia deixa a gente com os nervos à flor da pele.

Eu não tenho como te abraçar agora, Vitória, mas tenho como dizer que te gosto profunda e imensamente. Muito obrigada pela sua presença mágica espelhando doação, vida, fé, esperança e amor nesse mundo blogueiro de fora, mas também no mundo real e possível do coração.

Reclinada
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O selinho, “Blog Que Não Tem Preço”, que a Vitória me presenteou, está à disposição dos que têm um blog e o consideram valioso demais para ter limites em um cantinho tão especial.


Fiquei chocada e profundamente solidária para com aqueles que perderam familiares e/ou suas casas nas águas que ainda banham o Estado de Santa Catarina desde o dia 27 de novembro último. O que vi pela televisão, chocou pela fúria com que as chuvas destruíram casas e estradas, separaram famílias, arrasaram plantações, arrastaram carros e caminhões, e levaram embora anos de trabalho, investimentos e o progresso do governo catarinense e de seu povo. O alívio aconteceu quando o William Bonner comentou que, enquanto a equipe de reportagem da rede globo fazia as imagens da tragédia, pessoas afetadas pela tempestade falaram em alto e bom tom, “As águas levaram, mas nós reconstruiremos!”. Nesse instante, tive a exata dimensão do poder de reação e da valentia do povo brasileiro.

As tragédias nos mostram em fatos e cores a vulnerabilidade de todas as coisas que acreditamos e construímos, sejam grandes impérios industriais ou mesmo nossas casas, e provocam sentimentos de dor e solidariedade que nenhum outro acontecimento consegue reunir de forma tão emocional. Outro detalhe importante, é perceber que as aquisições materiais, por mais sólidas e importantes que sejam, são insignificantes, e mostram-se incapazes de minimizar as perdas humanas violentamente roubadas por acontecimentos naturais ou provocados pelo homem.

Relembre a tragédia das Torres Gêmeas, por exemplo. Quando tombaram ao chão, em 11/09/2001, ruiu com elas o orgulho do povo americano, que via naquele complexo de edifícios o símbolo máximo do poder e invulnerabilidade do país mais rico do mundo. Tudo aquilo era mera ilusão. Por algum tempo, os prejuízos financeiros foram calculados e recontados, as televisões do mundo inteiro mostraram toneladas de ferro retorcido, e uma dívida final foi apresentada em forma de alguns bilhões de dólares que interessa muito mais ao governo americano. Na contrapartida, as perdas humanas, cada uma das histórias pessoais exibidas na mídia mundializada, através de cenas familiares, bilhetes e fatos ocorridos antes e no dia da tragédia, serão eternamente sentidos, vividos, sofridos, e são tão atuais que ainda provocam lágrimas em que as vê e ouve.




Voltando às enchentes, as águas em excesso em Santa Catarina são o oposto das águas escassas no Nordeste, sendo essa diferença o motivo da nossa atual semelhança. Os exageros, em ambos os casos, trazem morte, sede, doenças, fome, separam famílias, mobilizam governos, causam prejuízos e atrasam o desenvolvimento regional. Em ambos os casos, uma coisa é certa: haverá muita luta e trabalho, mas o povo sobreviverá.

Nem sempre a seca no Nordeste convida o povo brasileiro à solidariedade. O nordestino sofre o absurdo preconceito de que somos escória social, e por isso somos violentamente cassados e destratados nas ruas, nos ateiam fogo, nos chamam de “Paraíba!” em alusão a cabeça chata, e nos envergonham e ao Brasil com um movimento sulista para separar a região sul do Brasil. Meu Deus! Essa idéia separatista ressuscita o ariano Hitler, lembra o Apartheid africano, nos coloca em igualdadade com as rivalidades étnicas do Quênia, entre outras.

Intolerancias de magnitudes notadamente preconceituosas, em um país miscigenado como o Brasil, não deveriam nos orgulhar, até porque a população brasileira é mestiça, queira ou não. Nenhum brasileiro tem um sangue nas veias.

Vi na televisão que a população de Fortaleza está se mobilizando para arrecadar colchões, roupas e calçados, e o governo do estado do Ceará está disponibilizando água potável e remédios para os desabrigados em SC. Não fazemos nenhuma grande ação com essa boa ação, mas sei que, se as chuvas tivessem alagado o árido Nordeste, e o Sul se mobilizasse para nos acudir, os donativos fariam aqui, e para os desabrigados da seca, o mesmo efeito que farão em SC, para os desabrigados das enchentes, ou seja: vão aquecer no frio, matar a fome e a sede, medicar doentes e minimizar o sofrimento das pessoas que perderam quase tudo, menos a dignidade e a coragem para reconstruir suas vidas e suas casas.

Se você ligar a televisão hoje, verá que sulistas e nordestinos estão no mesmo patamar de necessidades: um sofre pelo excesso de água, e o outro sofre pela falta dela. É... As tragédias têm um raro poder de nos tornar iguais.

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publicado às 00:02


53 comentários

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De Kekko a 29.11.2008 às 01:19


AAAAAAAuuuuuuuuuu....

Boa noite minha linda loba Keila...
que grande satisfação em estar aqui novamente...

E dizer também que a cada e-mail enviado pra mim... é uma alegria total...

Muito obrigado pela sua existência em minha vida...

Um grande beijo cheio de paz e luz em seu coração

Kekko
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De Keila, a Loba a 02.12.2008 às 16:34

Kekko, que bom saber que gosta dos meus e-mails! Enviar mensagens me dá a sensação de que estou dizendo, "Olha, eu não esqueço de você!". Porém, é que fico em duvida quanto aos que aprovam ou não essa manifestação de amizade.

Você é sempre bem vindo aos Uivos da Loba, meu querido, portanto, venha nos ver quando quiser e quando sentir saudades dessa velha amiga.

BeijUivooooooooooosssssssssssssssssss
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De Ila a 29.11.2008 às 02:38

Loba!
Faz tempo que não passo por aqui.
Teria muitas coisas a falar sobre seu post, mas não sei se conseguiria resumir a ponto de não tornar o comentário muito
extenso (e chato), então guardo pra um momento mais apropriado...


Beijinhos.
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 22:29

Ila, querida, você será sempre muito bem vida aos Uivos da Loba, e poderá deixar aqui, ou não, a sua impressão ou comentário sobre o post.

Volte sempre. A casa é sua.
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De HIranabif a 29.11.2008 às 14:15

Estamos em uma época complicada, ,as é pasaageira como tudo na vida. Que ótimo estar aqui de novo. Beijos de Hiran.
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 22:33

De fato, os tempos estão difíceis, mas a verdade é que sempre estivemos passando por transformações, mudanças, e essas alterações mexem muito com as pessoas e a propria vida.


Fico feliz e agradecida por ter vindo aqui, Hiran. Venha sempre, pois a casa é sua!

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De Menina do Rio a 29.11.2008 às 15:49

Infelizmente, não podemos com a força da Natureza. Somos realmente iguais, querida. Ao menos na tragédia. Por cá, também a chuva anda a fazer estragos, mas não em proporções alarmantes.

Um beijinho pra ti com carinho
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 22:38

É verdade. Menina do Rio: não podemos fazer nada para desviar o curso natural das coisas, especialmente em se tratando da natureza. Ela fala por si, diz como e deve ser, ainda que sua linguagem nos traga tristeza e atribulação.

Somos iguais na dor, nas necessidades, em tantas outras coisas! mas às vezes esquecemos disso. E como a natureza é sábia, ela trata de nos lembrar.

Beijuivooooooooosssssssssss pra você também, querida.
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De Zeca a 29.11.2008 às 18:00

Amiga de tantos anos!

Parabens pelo corajoso toque numa ferida que muitos teimam em ignorar, esconder, fingir que não existe.
Confesso que não havia pensado nisso, não havia ligado os fatos, estava como os demais, ignorando essa ferida que prejudica uma ampla região habitada por um povo raçudo e valente.
Enquanto nos preocupamos (com toda a razão, por sinal) com as mazelas provocadas pela natureza no igualmente valente estado de Santa Catarina, não nos damos conta da perene situação de desamparo de milhares de pessoas sitiadas e segregadas também pela natureza, através da seca.
E no nordeste o problema se arrasta há séculos!
Assim como em Santa Catarina, que nos comove com o bombrdeio diário das imagens e das notícias, quando a mídia se voltar para outra tragédia, os desabrigados serão também esquecidos e entregues à sua força na reconstrução das suas vidas. Exatamente como estão os nordestinos, entregues à própria sorte.
Teria tanto mais a dizer, mas esqueço que não é este o espaço mais adequado para isso.
Este espaço é para comentar o seu texto e o tanto que ele - tão bem construído - me comoveu, me tocou, me provocou.
Parabéns!

Deixo beijos e cvarinho.
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 22:58

Você, como sempre, apaixonante, Zeca. Chega de mansinho, e sai nos deixando um cabedal de idéias que fico tonta quando tento dimensionar.

O problema da seca no Nordeste remonta a história do Brasil. Todos sabemos disso, mas os governos anteriores e o atual não soluciona o problema porque a industria da seca enriquece políticos e não políticos às custas do sofrimento alheio. Infelizmente, isso também poderá acontecerá em Santa Catarina, se o os políticos de lá perceberem que tragédias dessa magnitude serão sazonais, e que estas permitem que os governos do estado e municipio recebam muito dinheiro para RECONSTRUIR o que foi destruido. Faço votos de que o povo esteja unido e reverta essa tendência pois, do contrário, serão, eternamente, o Sul do excesso, e o Nordeste, historicamente, da escassez.

Importante mesmo é que haja respeito à tragédia regional que envolve os dois estados, e que o sofrimento das pessoas seja também respeitado e compreendido. Não temos forças para conter a ação da natureza em se tratando da seca e das enchentes, mas podemos unir todo o Brasil para reclamar AÇÃO, TRABALHO E VONTADE POLÍTICA PARA RESOLVER ESSES PROBLEMAS.

O que não podemos é nos calar, nos tornar indiferentes, preconceituar, quando a venda nos olhos nos impede de ver e perceber que somos todos um nesse país de nome Brasil.

BeijUivoooooooooosssssssss pra você, meu querido, e obrigada pela suia visita.


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De Morena a 29.11.2008 às 21:32

Oi Loba!!!
Infelizmente se tem um jeito de unir realmente as pessoas são as tragédias!

E o pior é que lá em Santa Catarina já é sabido que isso acontece sempre! De novo culpa do governo que não toma nenhuma atitude!!!

Obrigada pelo recado tão carinhoso lá no blog! Gostei de mais de verdade!!!

Bjoks
Bom domingo
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 23:10

Eu penso como você, Advi, e espero mesmo que o governo faça a sua parte. Temo que aconteça lá o mesmo que acontece aqui, ou seja, os recursos destinados para resolver o problema são tão somente emergenciais. Quando as pessoas esquecem as tragédias pessoais envolvidas, quando a midia não fala mais sobre o assunto, então o governo também se cala e fecha os cofres.

Você é que sempre me encanta com esse jeitinho meigo de ser.

BiejUivooooooooooooossssssssssss da Loba
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De Kyaya a 30.11.2008 às 11:20

Oi amiga querida do coração!!! :D

Eu também fiquei chocada com os efeitos da chuva no estado de Santa Catarina.
Mas mesmo em momentos de dor, encontramos a luz e no caso, a união dos brasileiros para arrecadar alimentos e roupas para as vítimas catarinenses.
A bondade sempre está presente em meio às "trevas", isso ficou muito claro para mim.
Assistindo a noticiários, soube que não é a primeira vez que isso acontece no estado de Santa Catarina. Já houve um outro desastre como esse ou até pior, em 1984.

O mundo está cada vez mais dando sinais de seu desequilíbrio, causado pela ação do homem... E o que fizemos, está voltando em dobro para nós mesmos...
Triste constatar isso...

Eu não sei onde vamos parar, indo desse jeito como estamos...
Mas de uma coisa, eu sei: em meio ao caos, a luz há de brilhar e a bondade há de surgir também.
A misericórdia de Deus e o Seu imenso AMOR é muito maior do que as nossas falhas, nesse mundo, que Ele nos deu de presente!

Beijos! Te adoro!!! :D

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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 23:15

As imagens produzidas pela globo são chocantes. Você viu o profissão reporter ontem, dia 02/12? Nooosa, foi algo grandioso mesmo, Ci!

Não há como deixar de ajudar SC. Não há como não ver e sentir as dores dos catarinenses nessa hora difícil, e mais uma vez o povo brasileiro faz a sua boa ação.

Também te adoro, minha querida. Tenha certeza disso.

BeijUivooooooooooooossssssssss da Loba
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De Rodrigo a 30.11.2008 às 23:39

Vou jogar um pouco das aguas abundantes do sul na minha vida... quem sabe ajuda
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 23:19

Você me fez lembrar o Taiguara e sua musica, "Maria do Futuro", na frase, "Joga areias do futuro no meu passado". Por sinal, essa musica é linda! Vale a pena ouvir.

Seja o que estiver passsando, meu querido, deixe-se levar pelas águas sim! Um dia, seja lá em que porto for, e de que jeito for, elas te farão um enorme bem. Quero saber de você mais vezes, ok?

BeijUivooooooooooooossssssssssss da Loba



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De Everson a 01.12.2008 às 00:14

Passando pra te desejar uma linda noite de domingo e uma semana de muito amor e paz...beijos

Everson
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 23:27

Obrigada pela sua passagem, Everson. Não nos vemos ha algum tempo, não é isso? Espero que não nos percamos mais, querido, pois é sempre um prazer enorme conversar e saber de você.

Volte sempre.

BeijUivooooooooooooossssssssss da Loba
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De *isabella a 01.12.2008 às 00:59

Loba!

Isso tudo que tá acontecendo é incrível mesmo, não? É triste ver que as diferenças sul/norte tenham tanto peso dentro da consciência do brasileiro... Acho que é preciso mostrar tragédias cada dia mais atuais e diferentes para que as pessoas liguem para o resto do mundo.. é triste..

um bjo
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De Keila, a Loba a 03.12.2008 às 23:35

O ideal seria que as tragédias não acontecessem, mas já seria de bom tamanho se procurassemos entender e amadurecer com as tragédias. Mas nem sempre isso é possível.

Acredito que o Sul deverá rever o proconceito com o povo e a Região Nordeste através da sua dor, pois não serão necessárias mortes e fatos tão tragicos para que posssamos respeitar as diferenças, conviver com elas e ser solidário diante de coisas que não podemos mudar sem que todo o país esteja unido .

É muito triste sim, querida, mas talvez tenhamos bom senso para reverter essa situação. Ao menos esperamos isso.

BeijUivooooooooooooosssssssssssssssss pra você

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